Feia e inútil: como a arquitetura moderna ficou antiquada

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O texto abaixo foi traduzido e publicado pelos grupo Tradutores de Direita. Fonte

Por David Brussat [*]

Típica Propaganda Modernista Britânica

Em uma classificação de eficiência energética feita pela EPA [agência de proteção ambiental dos EUA], o venerável edifício Chrysler de Nova York atingiu 84 de 100 pontos. O Empire State, 80. Mas o modernista 7 World Trade Center pontuou 74 (abaixo do valor decorte de 75 para “alta eficiência”), o edifício Pan Am, 39; o edifício Lever House, 20; o edifício Seagram, 3.

O New York Times relatou essa história em 24 de dezembro de 2012 sob o título “O rastreamento do uso de energia da cidade revela algumas surpresas”.

Não foi nenhuma surpresa para Nikos Salingaros e Michael Mehaffy, que investigaram por que a arquitetura moderna prospera apesar de sua incapacidade de cumprir quaisquer de suas duradouras promessas — estéticas, sociais ou utilitárias.

Salingaros é um matemático e teórico da arquitetura na Universidade do Texas em San Antonio, Mehaffy é um especialista em urbanismo e complexidade em Portland, Oregon. Eles escreveram um longo ensaio para a edição de maio de 2013 da revista Metropolis, “Como o modernismo ficou antiquado”, o terceiro da série “Por arquiteturas resilientes”.

A teoria da resiliência, que avalia a sustentabilidade de sistemas feitos pelo homem, descobriu que a arquitetura moderna sofre de uma incapacidade inerente de “lidar com choques em seu sistema”. Ele resiste ao reuso e ao reaproveitamento. O que as edificações necessitam é semelhante ao que a natureza fornece: “conectividade redundante, abordagens incorporando diversidade, esforços distribuídos através de muitas escalas, e adaptatividade refinada dos elementos de projeto”.

Estruturas mais antigas, eles descobriram, possuem “exatamente essas qualidades de estruturas resilientes em um grau notável. (…) Não obstante, durante o último século, na nascente era do desenho industrial, as qualidades desejadas que as edificações resilientes ofereciam foram perdidas. O que aconteceu?”

A arquitetura acabou com a ornamentação.

“A matemática fractal da natureza possui uma impressionante semelhança à ornamentação humana”, escreveram Salingaros e Mehaffy. “Isto não é uma coincidência. A ornamentação talvez seja o que os humanos usam como uma espécie de “cola” para ajudar a costurar nossos espaços. Agora parece que a remoção dos ornamentos e padrões tem consequências de longo alcance sobre a capacidade que as estruturas ambientais têm de formar um todo coerente e resiliente.”

Isto parece muito técnico, mas o princípio é facilmente compreendido. Permita-se imaginar passeando por várias partes de sua própria cidade. Onde você levaria visitantes para impressioná-los? Para lugares antigos, é claro, não para lugares construídos após o modernismo ter expulsado a ornamentação da arquitetura.

Não é uma simples coincidência que turistas, que viajam voluntariamente, não voem para São Paulo ou Brasília, ou visitem os arredores de Paris e Roma. Em Londres, os turistas lamentam as novas construções que invadiram os antigos distritos e estimam velhas construções que sobreviveram aos ataques do modernismo. Da mesma forma em Manhattan.

Pode-se gostar ou não deste ou daquele edifício modernista, mas nem mesmo os críticos modernistas se preocupam em afirmar que o modernismo produziu quaisquer cidades amáveis. E entretanto o propósito primário da arquitetura é o de projetar um espaço cívico que alivie as tensões e perigos. O modernismo falha toda hora. Em Providence [Rhode Island, EUA], por exemplo, o parque Waterplace é suportável apenas porque sua infraestrutura tradicional suaviza a aspereza de seus edifícios modernistas mais recentes.

“Longe de ser um produto inevitável de forças históricas inexoráveis”, escreve Mehaffy e Salingaros, a arquitetura moderna “desenvolveu uma série de escolhas peculiares de uns poucos indivíduos influentes”. Eles citam o arquiteto vienense Adolf Loos, que escreveu “Ornamento e Crime” (1913) para vender uma agenda funcionalista. Mas, eles asseveram, “a estética de maquinaria era uma metáfora artística da ‘modernidade’, (…) não um requisito verdadeiramente funcional”.

Uma tolice cósmica, para dizer o mínimo, com consequências profundas. O modernismo sobrevive ao seu erro fundamental porque ele “pavimentou o caminho para o tema dominante do marketing moderno — em que é possível vender quase qualquer coisa se ela estiver ligada à imagem romantizada do futuro. (…) Foi um diagrama completo para refazer o mundo de acordo com conceitos específicos de escala, padronização, replicação e segregação”.

O gigantismo corporativo e governamental parecem menos românticos vistos em retrospectiva. Agora, mais do que nunca, a marca modernista reflete uma nova desumanidade de espírito mais em consonância com o Grande Irmão e o totalitarismo que nós pensávamos ter derrotado no século XX.

A sociedade humana precisa encontrar um caminho de retorno. Salingaros e Mehaffy apontam o trajeto: “nós teremos que pensar fora da caixa modernista para encontrarmos novas formas — ou novos usos para formas muito antigas, da maneira que a evolução natural o faz”.

[*] David Brussat. “Ugly and Useless: How Modern Architecture Got Square”. Traditional Building, 13 de Setembro de 2018.

Tradução: dvgurjao

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