Estilo Belas-Artes (Beaux-arts)

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O estilo arquitetônico Belas Artes, do francês Beaux-Arts (/ˌboʊˈzɑːr/) foi um estilo acadêmico ensinado na Escola de Belas Artes de Paris, particularmente a partir de 1830 até o fim do século 19.

O estilo partiu dos princípios do neoclassicismo francês, mas também incorporou algo do gótico e do renascentismo, usando materiais modernos para a época, como ferro e vidro. Foi um estilo muito importante na Franca até o fim daquele século.

O Belas Artes também influenciou fortemente a arquitetura americana, uma vez que proeminentes arquitetos americanos estudaram na faculdade de Belas Artes de Paris, incluindo aí Henry Hobson Richardson, John Galen Howard, Daniel Burnham, and Louis Sullivan.

História

O Estilo Belas-Artes evoluiu do Classicismo Francês a partir do estilo dos Luises – 14, 15 e 16. Os estilos arquitetônicos franceses de antes da Revolução Francesa foram conduzidos pela Académie royale d’architecture (1671–1793), e após a Revolução, pela seção de arquitetura da Académie des Beaux-Arts.

O neoclassicismo do velho regime francês foi desafiado por quatro professores da Academia, Joseph-Louis Duc, Félix Duban, Henri Labrouste e Léon Vaudoyer. Eles queriam quebrar a formalidade muito estrita do velho estilo introduzindo novos modelos de arquitetura da Idade Média e da Renascença.

O objetivo do grupo de professores era criar um estilo autenticamente francês, baseado em modelos franceses anteriores. O trabalho foi iniciado em 1837 através da criação da Comissão de Monumentos Históricos, encabeçada pelo escritor e historiador Prosper Mérimée, e pelo seu grande interesse na Idade Média originado pela publicação de 1831 do Corcunda de Notre-dame por Victor Hugo. A intenção declarada da Comissão era “agregar à nossa arquitetura um caráter verdadeiramente nacional (francês)”.

O estilo referido como Belas-Artes atingiu o ápice de seu desenvolvimento durante o Segundo Império (1852-1870) e a Terceira República que se seguiu. O estilo de ensino que produziu a arquitetura de Belas-Artes continuou sem grande interrupção até 1968.

O estilo Beaux-Arts influenciou fortemente a arquitetura dos Estados Unidos no período de 1880 a 1920. Em contraste, muitos arquitetos europeus do período 1860-1914 fora da França gravitavam longe das Belas-Artes e de seus próprios Centros Acadêmicos Nacionais. Devido à política cultural do final do século 19, os arquitetos britânicos do Classicismo Imperial seguiram um curso mais independente.

Treinamento

O ensino de Beaux-Arts enfatizava os principais exemplos da arquitetura romana imperial entre o imperador Augusto e os imperadores da dinastia severa, além do renascimento italiano e modelos barrocos franceses e italianos, especialmente.

Mas o ensino podia ser baseado sobre uma gama mais ampla de modelos: frentes do Palácio florentino de Quattrocento ou o Gótico francês tardio. Os arquitetos americanos da geração Beaux-Arts frequentemente retornavam aos modelos gregos, que tinham uma forte história local no renascimento grego americano do início do século XIX. Pela primeira vez, repertórios de fotografias complementaram desenhos de escala meticulosos e renderizações de detalhes no local.

A prática da arquitetura Beaux-Arts fez grande uso de agrafes, grampos que ligam um detalhe arquitetônico a outro; a interpenetração de formas, um hábito barroco; a “arquitetura falante” (arquitetura parlante) na qual a suposta adequação do simbolismo poderia ser levada a extremos literais.

O ensino da Beaux-Arts enfatizou também a produção de esboços conceituais rápidos, desenhos de apresentação de perspectiva altamente acabados, muita atenção ao programa e detalhamento bem informado. Considerações sobre o local tendiam para contextos sociais e urbanos.

Todos os arquitetos em treinamento na Academia de Belas Artes passaram pelos estágios obrigatórios – estudando modelos antigos, fazendo análises reproduzindo modelos gregos ou romanos, estudos de “bolsos” e outros passos convencionais – na longa competição pelos poucos lugares desejáveis ​​na Académie de France, braço da Academia francesa situada em Roma, na Villa Medici, com a obrigação de enviar, a intervalos, os desenhos de apresentação chamados envois de Rome.

A realidade da execução

Um fato curioso é que a grande quantia de detalhes artísticos no acabamento dos edifícios do estilo geraram emprego a várias gerações de modeladores de arquitetura e escultores, originados da Itália e da Europa Central. Um senso de linguagem apropriada ao nível dos artesãos foi necessário as equipes de desenho dos primeiros escritórios de arquitetura verdadeiramente modernos.

Características

O estilo Belas-Artes se caracteriza por uma decoração amplamente escultural ao longo de linhas conservadoras, empregando fórmulas Barrocas e Rococó, Francesas e Italianas, com uma finalização impressionante e realista.

  • Telhado plano;
  • 1º andar elevado, acessado por uma escadaria;
  • Espaços hierarquizados, dos espaços nobres acessados por grandes entradas e escadarias, para os utilitários;
  • Janelas arqueadas;
  • Portas adornadas por frontões;
  • Detalhes sintetizavam estilos históricos clássicos;
  • Tendência para o Ecletismo;
  • Simetria;
  • Estatutária;
  • Esculturas em painéis de baixo-relevo, esculturas figurativas, murais, mosaicos e outros trabalhos, tudo sempre muito coordenado ao tema geral que assegurava identidade à construção;
  • Detalhes Clássicos, como balaustradas, pilastras, guirlandas, cartelas (cartouches), acroteria, com uma exibição proeminente de fechaduras ricamente detalhadas (agrafes), suportes e consoles de apoio;
  • Policromia sutil;

Saiba mais

Em favor do estilo Belas-Artes, uma opinião questionando o “estilo Eclético” (clique e leia), tão intensamente e equivocadamente difundido na história da Arquitetura Brasileira.

Wikipedia – Inglês

Wikipedia – Francês

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